Recursos Humanos vs. Gestão de Pessoas




Por mais que se tenha valorizado uma versão mais humana das relações trabalhistas nas últimas décadas, o que resultou em profundas melhorias nos ambientes de trabalho e numa maior preocupação com qualidade de vida, um termo antigo ainda resiste: recursos humanos.

Pode parecer algo tolo discutir o termo hoje em dia. Estamos já acostumados com a figura do profissional de recursos humanos e com o departamento de RH dentro das empresas. Tanto que não nos damos conta do significado do termo. Pois é, mas já se tentou mudar isso. Na década de 90, vários autores pregaram que Gestão de Pessoas era um termo mais adequado, para se adaptar a um mundo mais moderno, em constantes mudanças, onde o ser humano é valorizado, etc. Mas, pelo menos aqui no Brasil, o termo parece não ter se popularizado.


É bom que se diga que este termo, Gestão de Pessoas, surgiu numa fase um tanto quanto iconoclasta no ambiente corporativo, onde se celebrava o novo, a quebra da hierarquia. Isso também ocorreu numa fase de profundas e irreversíveis mudanças tecnológicas. Enquanto no final dos anos 80, principalmente no Brasil, as empresas mal usavam computadores e os documentos costumavam ser produzidos em máquinas de escrever (eu fiz um curso de datilografia em 1995, meu Deus!), no final dos anos 90 a Internet já dominava a cena e a maioria das empresas já a tinham adotado.

Isso tudo causou uma ruptura das velhas hierarquias. Empresas engessadas, com hierarquias rígidas, estavam tendo dificuldade para se adaptar às novas realidades. Houve uma necessidade de se repensar as estruturas e processos. Foi uma época dura, com suas reengenharias e downsizings. Mas a tônica da época era que a sociedade do conhecimento estava desabrochando e, então, o ser humano seria o centro da empresa.

Pois bem. No entanto, empresas como o McDonald’s continuaram com seus sistemas e processos rígidos, com negócios que podem ser administrados por adolescentes que acabaram de completar o Ensino Médio. Outras empresas desenvolveram sistemas computadorizados que realizam as tarefas de milhares de trabalhadores da década de 1980 a um custo muito menor. A questão é: será mesmo que o ser humano se tornou o centro da atividade produtiva?


Bom, sim e não. Para falar a verdade, o ser humano sempre foi o centro de toda a atividade econômica. Afinal, se montamos empresas para produzir algo, é para ser vendido a alguém. E este alguém é um ser humano, não uma máquina. Um ser humano que deve ter uma renda, seja lá como ele a obtém. A questão toda é o lado da produção. Na produção, há uma tendência mesmo a se enxergar o ser humano como recurso. É então que a definição de “recurso humano” faz todo o sentido. Afinal, a pessoa está ali para produzir, para gerar satisfação do cliente e, por consequência, lucro para a empresa.

Deste modo, sim, é verdade que o ser humano é um recurso para a empresa, seja lá qual for seu grau de importância na hierarquia ou seu grau de formação. Até mesmo o presidente da empresa é um recurso, que serve para gerar retorno para os acionistas. Mas também é verdade que o mercado de trabalho mudou e as pessoas se tornaram, de certa forma, mais importantes. O trabalho braçal e repetitivo tem sido, cada vez mais, substituído por máquinas, que realizam um trabalho melhor em quantidade e qualidade a um custo reduzido. Por consequência, o lucro gerado para as empresas é maior. Como dinheiro parado é sempre dinheiro perdido, estas tendem a reinvestir o lucro em seus negócios (quando não o fazem, algum banco o faz por elas), agora contratando profissionais da era do conhecimento, para desenhar processos e definir novos passos da empresa, visando o crescimento contínuo.

Assim, é bom que o trabalhador não perca nunca de vista o fato de que é um recurso para a empresa. Está lá para gerar lucro para seu empregador. É assim que a banda toca. E, se seu trabalho é algo repetitivo e que poderia ser substituído por uma máquina, é bom se preparar, pois seu emprego está em risco. De qualquer forma, a tendência é de que seu próximo seja menos monótono e pague melhor.

Nota: é bom que se diga que, normalmente, o termo Gestão de Pessoas vem como algo mais envolvido com o negócio da empresa em contraste com o burocrático setor de RH, que cuida de processos de admissão e demissão e folhas de pagamento. A intenção do texto foi discutir o ser humano enquanto recurso humano dentro da empresa.

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